Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008


Sobre o amor que sinto por você

Música de fundo: Eu assim sem você (por Adriana Calcanhoto)
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Amo você. E amo as suas gracinhas. E amo as suas caras-e-bocas. Amo você. E amo ver você dormindo. E amo ver você acordando. E amo a sua risada. Amo o seu olhar. Amo o seu andar. Amo o seu falar. E amo as suas idéias. O seu otimismo. E amo o seu ânimo. E amo seus conselhos. E amo a sua paciência. Amo como você me acorda de manhã. E amo o seu sorriso de manhã. E amo o seu jeito agitado de manhã. Amo te levar à porta e te recomendar que tome cuidado, que olhe para os dois lados antes de atravessar a rua e que não fale com estranhos. E amo mais ainda correr pra janela e acenar para você, e depois ver você sumir na esquina. Amo você. E amo a sua desorganização. E amo a sua bagunça. E amo como você deixa a roupa suja por cima do cesto. E amo a nossa vida. E amo nosso dia-a-dia. Amo a nossa casa. E
amo nossos móveis. Amo cada objeto. E amo o vazio dos móveis que não temos. Amo nossos planos. E amo você. E amo tudo mais que eu não falei. E amo tudo mais que eu poderia falar. E amo tudo mais que você tem para ser amado, tudo. Amo você.

Terça-feira, 16 de Setembro de 2008


Sobre bobagens acadêmicas



São tantos professores e colegas falando que monografia é coisa boba e que no final das contas não vale de nada, que eu não encontro outra pergunta a não ser, para que fazer monografia então? Se é assim, por que não um trabalhinho sob consultas a enciclopédias ou, mais de acordo com o século XVI, com consultas à Wikipédia? =/

No final das contas, o que me resta é o constrangimento por estar ocupado demais, cansado demais e estressado demais com essa bobajada de monografia...

Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Lista -- nem tão exigente assim -- de desejos de um dia de desânimo:

1 - ir à praia (Grumari de preferência);

2 - ler qualquer coisa que não seja historiografia;

3 - assistir a toda a programação da televisão, sem culpa, do acordar ao adormecer, especialmente, RJTV 1ª edição, Jornal Hoje, Vale a pena ver de novo, Sem Censura e toda a programação do Canal Futura;

4 - estudar cultura popular, assistir a documentários sobre cultura popular, ler livros sobre cultura popular;

5 - pegar o primeiro avião, ônibus ou jangada rumo a Salvador.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008


Sobre pais e filhos e o século XXI


"
Virei mocinha, papai!"


Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008


Sobre a maravilhosa visita de um querido amigo; e da frustrada incursão de um mineiro em um fim de semana nublado no Rio



Inúmeras vezes o Ricardo comentou sobre como o mundo dos blogs nos proporcionou conhecer pessoas interessantes que vieram a se tornar amigos queridos. Pelas -- literalmente -- idas e vindas em encontros com esses amigos, uma das coisas mais expressivas que descobri foi que mineiro no Rio quer apenas uma coisa: praia. Pode não ser verão, pode nem estar tão quente assim, mas a praia é sagrada.


O único problema é quando chove. Aí não tem jeito...


Neste final de semana, recebemos o amiguinho Carinha do Blog em casa e ele experimentou um final de semana, por assim dizer, não turístico no Rio de Janeiro. Tá certo que foi involuntário, dado o frio que se instalou sobre a urbe carioca e a quase incessante -- e certamente chata -- chuva que insistiu em marcar presença. No lugar de uma sunga como acessório principal, guarda-chuva.

Bom, pelo menos ele conheceu o Shopping Tijuca, o famoso Buxixo e o -- tão bem freqüentado, não é mesmo, Sr. Carinha do Blog?... -- Buxixo Up! E o que falar da inusitada experiência de acompanhar o processo de castração de um gatinho?

Amiguinho, apesar de saber que o final de semana teve uma pitada de frustração pra você, foi maravilhoso recebê-lo mais uma vez aqui em casa. E tenho certeza de que você sabe que, quando quiser vir ao Rio, não pense duas vezes. É só falar "Tô chegando!" que a gente coloca uma toalha a mais no banheiro.


=D


PS: Agora são 11:05 da manhã de segunda-feira e o Sol lá fora está escandaloso! Hahahahahahahahahahahahahahha
Ah, Murphy...

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008


Sobre incursões pela rica vila de Ouro Preto

Na última semana estive em Ouro Preto. Desde meus passeios por suas intermináveis ladeiras, já vinha pensando no que escrever sobre a cidade. Nada mais encantador para um historiador que se ocupa do século XVIII do que uma cidade do século XVIII.


Simpática rua de Ouro Preto

Apesar de ter como dona do meu coração Paraty, Ouro Preto supera nossa pérola colonial fluminense em termos de tamanho: a cidade é tão grande que as pessoas realmente vivem em Ouro Preto. O que quero dizer é que a cidade não vive só do turismo, não. Pelas ruas, encontramos consultórios médicos, mercearias, lojas etc. Tudo isso entrecortado por prédios históricos e placas que indicam marcos importantes da cidade, como a casa de Tiradentes (na verdade a casa mesmo foi demolida quando de sua condenação) e a possível casa do Aleijadinho.


Em primeiro plano (verde), a possível casa de Aleijadinho

As igrejas são um capítulo à parte. Visitei oito nos dois dias em que fiquei na cidade. Eu poderia ficar aqui falando e falando da sedução do ouro da Matriz do Pilar e da igreja de Nossa Senhora do Carmo, mas, por incrível que pareça, a que mais me encantou foi a de Nossa Senhora do Rosário, construída por uma irmandade de negros e mulatos no século XVIII. Apesar de seu exterior causar impacto, seu interior é dos mais simples, com ênfase não no ouro, mas nas pinturas. Uma pena não poder tirar fotos...


Igreja Nª. Srª. do Rosário

Aliás, apesar de todo o encanto de Ouro Preto e de ter ficado muito impressionado como estudante paga meia entrada em tudo por lá, achei um pouco retrógrada a proibição de tirar fotos dentro das igrejas, mesmo sem o uso de flash (que danifica imagens e pinturas). Ouvi alguém comentando que era por motivos de segurança. Sinceramente não entendo. Qualquer catálogo de fotos da cidade, revista de viagens ou uma singela busca no Google mostra fotos dos interiores das igrejas. Se fosse assim, fotos seriam também proibidas na igreja da Candelária e na riquíssima e barroquíssima igreja de Nossa Senhora de Mont Serrat (Mosteiro de São Bento), ambas aqui no Rio de Janeiro.


Igreja Nª. Srª. da Conceição

De todas essas igrejas, a única em que foram permitidas as fotos -- indiscutível e compreensivelmente sem flash -- foi a igreja São Francisco de Paula, o mais recente de todos os templos católicos de Ouro Preto. Sua construção iniciou-se em 1804, época em que o ouro já escasseava. Daí que seu interior não seja dos mais ricos. Ainda assim, consegue ser mais rica que a belíssima igreja do Rosário. De seu terraço é possível ter uma das mais belas vistas de Ouro Preto: de lá a cidade é emoldurada pela serra e pelo verde. Vale muito a pena conferir!


Igreja S. Francisco de Paula


Altar-mór de S. Francisco de Paula e paisagem do segundo andar

A Casa da Ópera, primeiro teatro das Américas (data da década de 1750), é um capítulo à parte na cidade. Ainda em funcionamento, com as funções de Teatro Municipal, faz com que qualquer um consiga se remeter ao fervor cultural da antiga Vila Rica, no século XVIII. Falando em fervor cultural, olhando o tamanho da cidade, pareceu-me que a Ouro Preto do século XVIII conseguia ser maior que o Rio de Janeiro da mesma época. Não conheço estudo nenhum sobre isso, mas tive essa impressão.


Casa da Ópera

Também estive em Mariana nesses três dias de incursão pelo século XVIII mineiro. A cidade tem seu Centro Histórico, mas, comparada com Ouro Preto, é -- perdoem-me a aparente contradição -- incomparavelmente menor. Ouro Preto vive na cidade histórica, diferentemente de Paraty, por exemplo, de literalmente cercou seu Centro Histórico (carros não entram). A cidade de Mariana, por ser menor em relação a Ouro Preto, cresceu ao redor do que hoje chamamos de Centro Histórico. Por mais que o Centro não seja fechado como em Paraty, tive a impressão de que a diferenciação entre Centro Histórico e o resto da cidade é muito maior do que em Ouro Preto.

O destaque em Mariana fica por conta da praça que é rodeada pela Casa da Câmara e Cadeia, que ainda briga a Câmara Municipal, pelas igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis e pelo Pelourinho em frente a esta última. Nela funcionava o antigo centro de poder durante o período colonial.


Igrejas de S. Francisco e de Nª. Srª. do Carmo com Pelourinho à frente e Antiga Casa da Câmara e Cadeia e atual Câmara Municipal

Com visita guiada (gratuita), o passeio pela Casa da Câmara valeu muito a pena. No andar térreo funcionava a antiga cadeia, e ainda possui suas três celas (uma para homens brancos, uma para mulheres brancas e a outra para mulatos e negros de ambos os sexos). Chamou-me a atenção uma capelinha que fica aos fundos do prédio. Nossa guia nos explicou que aquela capela era dedicada à devoção dos presos. Tanto que de todas as celas é possível ver a capela.


Cela da Cadeia. A construção ao fundo correspondia ao fogão e à privada.


Vista da capela a partir da cela.

No segundo piso, enfeitam as paredes do saguão principal quadros do rei D. João V e sua mulher, a rainha D. Maria Ana de Áustria, quem serviu de inspiração para que D. João V desse o nome de Mariana à cidade, e quadros de seu filho D. José I e de sua neta D. Maria I (a Louca). De um lado, o plenário, ainda em funcionamento e do outro uma sala com mobília datada do Império do Brasil, como é possível ver através do brasão imperial gravado em sua madeira.


Vista do segundo piso da Câmara para a igreja de S. Francisco

Das três igrejas em que estive em Mariana, duas delas permitem que seus interiores sejam fotografados (Carmo e São Francisco). A catedral de Mariana, igreja de Nossa Senhora da Assunção, que abriga o famoso e tão falado órgão cedido por D. João V, para minha decepção não permite fotografias internas. Confesso que fiquei um pouco irritado com isso. Não sei para que tanta propaganda do órgão se ele não pode ser fotografado... Como consolo, comprei um cartão postal com uma imagem dele... Mas quem gosta de fotografar sabe que não é a mesma coisa...


Altar-mór rococó e lustre de cristal da igreja de S. Francisco de Assis


Lustre de cristal da igreja de S. Francisco de Assis

Apesar do ostentado orgulho dos marianenses de terem abrigado primeira capital de Minas, de ser o primeiro bispado mineiro, de ter tido a primeira casa com dois pavimentos do país e de ser a primeira cidade planejada (acho que de Minas também), sem fazer pouco da cidade, que tem os seus encantos, não recomendo a ninguém que queira conhecer Mariana e Ouro Preto que comece por esta última. A sensação do colonial, do histórico, é muito mais presente e forte em Ouro Preto, de forma que começar um passeio por ela e terminar em Mariana poderia gerar um certo anticlímax. Sugestão? Comesse por Mariana e depois vá a Ouro Preto.


Outra simpática ladeira de Ouro Preto com seu casario de época

Este foi um post muito superficial. Apesar de vir pensando desde Minas sobre o que escrever a respeito dessa viagem, confesso que não me senti muito disposto a fazer um longo relato de tudo. Não vou me ocupar aqui dos museus, dos chafarizes, do artesanato que me deixou maluco, de como pedra-sabão é barato e frágil (uma pecinha de uma escultura que comprei lá quebrou ao longo da viagem... =/), dos interiores das igrejas, dos assustadores santos de roca (imagens de santos com cabelos humanos e roupas de verdade) que me fizeram ter pesadelos na primeira noite, dos tantos cemitérios pelos quais temos que passar a todo momento em Ouro Preto (cada igreja tem o seu), nem da corrida que eu levei ao passar sozinho, à noite, ao lado do cemitério da igreja de São José, que mais parecia uma construção abandonada de filme de terror do que uma patrimônio histórico digno da conservação que visivelmente não recebe (não é a única precisando de reparos, mas a em mais precário estado). Pra completar o cenário, a lâmpada do poste estava queimada. Nunca vou me esquecer daquela igreja e de como andei rápido, quase correndo, por ali. =P


Vista geral de Ouro Preto

Se Paraty reina como a cidade colonial do meu coração, Ouro Preto já me pegou de jeito também. Não há como não se render ao encanto de séculos de história passeando lado a lado com você por ladeiras e becos. Para que Ouro Preto fosse perfeita, faltou apenas o mar... Mas paciência. Deus deu, em troca, o primor da arquitetura mais bela. Não se pode ter tudo, né?



Até a próxima!

Domingo, 17 de Agosto de 2008

Amado amigo Jorge,

ontem o dia amanheceu incomum. Não por falta de Sol, que brilhava com força, nem da beleza do canto dos pássaros e das cores de um dia de inverno com prematuras feições de verão. O dia amanheceu belo, mas estranhamente a vizinha do lado não passou com seu vestido grená. Gabriela não cantou sua modinha, nem a morena e bela Marina se pintou. A Baiana não falou dos santos. Não jogou seus encantos. E a Maracangalha, de repente, pareceu sem graça à Anália.

Fui despertado por uma notícia na qual mal pude acreditar. Nosso Buda Nagô, nosso Dorival Caymmi, o guardião dos segredos da Baiana, havia partido. Quem mais poderá agora nos revelar o que que a baiana tem?

O Axé Opô Afonjá perdeu um de seus obás. Calaram-se os candomblés na Bahia com a despedida do querido ministro da Casa de Xangô. Calou-se a Bahia. Calou-se o Rio de Janeiro por perder o ilustre baiano que escolheu esta terra para viver.

Peço que não repare o ânimo não tão leve como o de outras palavras minhas ao amigo, mas escrevo para compartilhar minha perplexidade, como não poderia ser diferente. Como já se disse por aí, Caymmi descobriu a beleza da simplicidade falando da alma da cidade do Salvador. Falava da Bahia, mas no fundo, como você, estampava as raízes de nossa brasilidade. Brasilidade nagô, brasilidade baiana, brasilidade brasileira. Foi-se mais um dos pilares de nossa cultura. Cá entre nós, amigo Jorge, muito me espanta uma gente que circula por aí arrotando cultura sem nada conhecer de Dorival Caymmi. Vai entender, não é mesmo?

Não vou me demorar muito mais. Acredito que vocês tenham muito o que conversar, e estou certo de que Vadinho o espera ansiosamente para preparar uma outra serenata para Flor, como aquela que fizeram há anos atrás.

A Baiana está de luto. Mas estou certo de que o Orum está em festa.

Um forte abraço,
Leandro.




"Você já foi à Bahia, nega? Não?! Então vá!"
(Dorival Caymmi)